
A propósito da candidatura de Santana Lopes à Câmara Municipal de Lisboa, são várias as opiniões que tenho ouvido e lido. Ao contrário de muitos, especialmente dentro do partido, que vêem esta como sendo mais uma oportunidade para ir atacando e desgastanto (ainda mais) a imagem de Manuela Ferreira Leite, acho particularmente interessante a tese que o Nuno Gouveia, no Atlântico, tão bem explana, ao fazer uma comparação com as recentes opções de Obama, nos Estados Unidos.
Cito a parte que, para o caso, mais interessa:"A vida política e partidária deve ser feita de consensos, tentando alargar ao máximo a base de apoio. Um partido é um conglomerado de facções, de opções ideológicas e de diferentes sensibilidades políticas. E a força de um grande partido, como o PSD, reside na capacidade do líder saber incorporar na sua equipa esta multiplicidade de correntes."
Até aqui, não poderia estar mais de acordo. Em relação a Santana Lopes ser uma boa escolha para Lisboa, já tenho sérias dúvidas. Além das recentes derrotas que o fragilizaram, e bem, há ainda o abandono da CML rumo a S. Bento e tudo o que depois se veio descobrindo, ou insinuando, quanto à sua gestão, primeiro intercalada e, depois, sucedida por Carmona Rodrigues.
Mas, ao contrário de muitos, não desvalorizo a argúcia política de Manuela Ferreira Leite e olho para esta confirmação da candidatura como sendo um presente envenenado. Santana não voltará a agitar as águas nem antes nem depois das eleições. Se vencer, terá sido com o beneplácito da líder. Se perder, terá sido por culpa própria.
Resta, depois, oferecer a Passos Coelho a liderança das listas europeias, ir a Gaia dar um abraço de apoio à candidatura de Menezes e chamar Marcelo Rebelo de Sousa para Alto-Conselheiro (ou outra coisa qualquer de nomenclatura pomposa) da sua própria candidatura. Quanto a Pacheco Pereira, deixá-lo falar. Assim como assim, já ninguém tem grande paciência para o ouvir.
2 comentários:
De facto... essa é uma boa teoria. Mas será ela aplicável no terreno? Não acho impossível o Santana ganhar Lisboa.
Também não acho impossível Ferreira Leite cumprir os passos da estratégia de que falas.
Acho difícil ela deixar de tropeçar a cada intervenção, e conseguir ganhar imagem junto da opinião pública, de forma a bater-se de igual para igual com o Sócrates.
E será que a ambição política do professor se esgota num cargo de nome "pomposo"?
Já não falta muito para descobrir.
Abraço.. Gosto da nova Tela.
Também não acho impossível Santana vencer Lisboa, embora duvide bastante. Mas, como referi, ganhando ou perdendo, deixou de ser pedra no sapato.
Quanto a Manuela Ferreira Leite, acho que ela diz, muitas vezes, o que muitos dos portugueses pensam. Não sabe é fazê-lo. Talvez uma melhor estratégia de comunicação a ajudasse.
Por fim, quanto a Marcelo, não tenho a mínima dúvida de que as suas ambições são grandes. Mas aguardam o final de um hipotético segundo mandato do outro Professor, em Belém.
Abraço
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