A sociedade portuguesa assistiu, na passada semana, incrédula, à falta de 120 deputados à Assembleia da República, o que impediu que os trabalhos se realizassem na sua normalidade.
Por todo o lado se ouviram coros de protesto, das mais diversas áreas da sociedade, e todos (ou quase todos) quiseram comentar o sucedido.
Se é verdade que os deputados, pela elevada responsabilidade em relação aos destinos da Nação, se deviam abster de criar situações como estas (que em nada dignificam o já tão manchado nome dos políticos face ao resto da população), também é verdade que estes mais não fizeram, enquanto legítimos representantes dos cidadãos que os elegeram, do que aquilo que é um dos maiores dramas da sociedade portuguesa - o absentismo produtivo.
Senão, vejamos: o Algarve, destino turístico dos portugueses, por excelência, esteve sobrelotado todo o fim de semana, sendo que a adesão em massa começou na quinta-feira de manhã (se não estou enganado, era suposto que todos trabalhassem, na quinta-feira de manhã). Ontem, segunda-feira, o país estava completamente paralisado (se bem que, em boa verdade, para isso autorizado), mas hoje não corre a mais que meio gás. As repartições públicas com as quais já tive que contactar queixam-se todas do mesmo - falta de pessoal. Temos, além disto, diversas baixas médicas (por indigestões provocadas pelos excessos da Páscoa? devido ao frio e à chuva que espreitaram neste fim de semana?).
Eu, por mim, achei piada à falta em bloco dos deputados. Pela primeira vez em muitos anos, achei que, de facto, representaram verdadeiramente os portugueses, agindo como a maioria age, regularmente e sempre que os feriados próximos dos fins de semana tornam convidativas as tradicionais escapadinhas.
1 comentários:
100% de acordo.
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