Eleições e Saramago

Das primeiras, por ter passado mais tempo do que o previsto afastado do blogue, não vale a pena acrescentar nada ao que já foi (muito) escrito por essa blogosfera fora.
Do segundo, uma curta opinião sobre a recente polémica. Pura publicidade. E bem feita. A do Pingo Doce também é horrenda e anda meio mundo a falar dela.
Mas voltarei a Saramago, não tarda. É que está ali na prateleira, acabado de ler, o seu A Viagem do Elefante.

ComUM



Mais um ano lectivo, mais uma edição do ComUM.
Equipa renovada, como acontece anualmente, e novo convite para ir escrevendo uns disparates na secção de opinião. Eu, sem vergonha, voltei a aceder, como se pode ver aqui.

Sons urbanos bracarenses

 
Imagens retiradas daqui


Às 8h, começam as obras nos prédios vizinhos que grassam como cogumelos. Às 9h (e até às 20h), os gritos implacáveis e intermináveis das crianças da creche das traseiras. Às 10h (sem término certo), os camiões que sustentam as lojas e o hipermercado do shopping ao lado e os automóveis na circular que atravessa a cidade, em frente. Das 21h às 24h, as demonstrações de força entre os cães da vizinhança que os exorta a defecar antes do início da novela, entre sacos do lixo, parques de estacionamento e pequenos recantos de erva carcomidos pelo tempo. Noite dentro, ascensores imparáveis num prédio que teima em não dormir.
Depois, há o galo. Às 6h. De uma qualquer quinta ou quintal que não vislumbro pelas janelas. Mas, algures no meio de todo este cinzento, há o galo. E é o único que ouço, realmente, com um sorriso nos lábios.

Regresso

Mais uma vez, afastamento não desejado.
Para amanhã, análise às eleições. Ao regresso, muito bem conseguido, dos Beatles. E a um livro que não li na altura certa - Bilhete de Identidade, de Maria Filomena Mónica - mas que acabei de dissecar.
Vou ali e volto já.

A noite acentua a tristeza... (CXIX)

O Comício

Da tribuna envergonhada
por tanta demagogia
o orador prometia,
duma assentada,
a terra e o céu.

O povoléu,
incrédulo, sorvia
a fome de tanta fartura.

Porém, a certa altura
o orador entupiu
e caíu-lhe a dentadura.

Quando a assistência saíu,
pisou-lhe a faladura.

António Arnaut

Rabiscos (LXI)

dizes-te Vénus
penso-me Marte

mas


só a Lua, impávida, brilha

Braga, 8 de Setembro de 2006

O'Questrada - Tasca Beat


Acabado de chegar, ainda embalado. Dispensa apresentações. Vim só criar algumas invejas e vou já para ali ouvir.

A ler

CANSAÇO TÉCNICO

Finalmente uma "sondagem" para as legislativas. Depois dos equívocos e das vergonhas nas europeias, a principal conclusão desta sondagem é não haver propriamente conclusão alguma. O PS segue à frente, é certo, mas, pelo sim pelo não, deixa-se aos "indecisos" a decisão final. E a "margem" (dos "indecisos") daria, também eloquentemente, um "empate técnico". O outro jornal que a publica vai mais longe e titula que os ditos "indecisos" até podem "virar" o resultado. Estamos, pois, como estávamos ontem. Sem maiorias absolutas, com este absolutismo socialista em vigor em risco de nem sequer ficar minoritário (em 2005 obteve 45%...), com o Bloco menos "terceiro" e o dr. Portas mais "terceiro", etc. etc. O que a coisa sobretudo mostra é cansaço disto. Quem mais chatear, mais perde.

Por João Gonçalves, no Portugal dos Pequeninos

Debates Televisivos - Legislativas 2009 (III)


À semelhança dos anteriores, também o debate entre Manuela Ferreira Leite e Francisco Louçã foi morno, embora mais pormenorizado que os anteriores em termos económicos, ou não fossem ambos dessa área. Ainda assim, Ferreira Leite a conseguir desmistificar algumas das muitas demagogias de Louçã.
Final com posição semelhante dos dois - o caso TVI, seja da responsabilidade de quem for, cheira a censura e é, por isso, condenável
____________
PS - Parece-me que o único debate que irá, de facto, aquecer, será o último, entre Manuela Ferreira Leite e José Sócrates.

Debates Televisivos - Legislativas 2009 (II)


Até à data, os debates das legislativas têm sido, no máximo, mornos, com pouco de especial a registar, à excepção de dois pormenores (que serão muito mais que pequenos pormenores): Paulo Portas muito menos acutilante do que aquilo a que nos habituou ao longo dos anos e uma amena conversa de café entre José Sócrates e Jerónimo de Sousa. Os líderes do PCP e do CDS-PP a colocarem-se, já, em bicos de pés para possíveis coligações pós-eleitorais?

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Adenda - Curiosidade em relação à prestação de Ferreira Leite e Louçã, esta noite.

Antenas online

À atenção destes senhores. Em qualquer batalha, a melhor táctica não é, nunca foi, disparar em todas as direcções. Conseguirão algumas baixas, é certo, mas chamarão demasiadamente a atenção para as suas posições no terreno para que lhes seja possível sobreviver.

Programas de sábado à noite


Uma noite de sábado que começa, logo após o repasto, frente a um computador não é, não pode ser, uma noite normal. A indecisão pairava entre (re)ver um bom filme, colar-me a um canal de séries ou ler um bom livro. Mas, lá está, febre de sábado à noite, quase duas horas perdidas a pôr em dia a leitura do reader da blogosfera. Opiniões muito diversas acerca dos programas eleitorais para as legislativas dos dois maiores partidos levaram-me a dizer (sim, admito, falo sozinho e bem alto): "É agora ou nunca!"
Do alto da sua prateleira, Colleen McCullough ainda resmungou. Com estilo, claro, que outra coisa não se esperaria de uma australiana que tem no seu currículo a soberba colecção de seis volumes d' O Primeiro Homem de Roma. Neste caso, resmungou-me de dentro do seu A Casa dos Anjos.
De nada lhe valeu. Decisão tomada. Para dar sobriedade à leitura, ajudaram os 3 tenores, Carreras, Domingo e Pavarotti, dirigidos por Mehta, em 1990, nas Termas de Caracala, em Roma (o caro leitor pode optar por um mais civilizado Terme di Caracalla di Roma).
E foi começar a ler. Primeiro, aqui, que está bastante mais sucinto. Depois, aqui, que já ia a leitura embalada.
Quanto aos conteúdos, não me peçam resumos nem grandes considerações. Desculpar-me-ão, mas arranjem o vosso próprio sábado à noite. Só uma pequena nota - quem afirma, à boca cheia, que os documentos são muito semelhantes ou não os leu ou não os soube ler, exceptuando, claro está, o facto de ambos serem programas de supostos futuros governos (não há quem preconize, já, a junção dos dois? susto).
E, agora, vou aproveitar o domingo à tarde dos passeios em fato de treino dos meus vizinhos para ouvir Red Hot Chili Peppers em altos berros, a ver se o aspecto macambúzio que me olhou do outro lado do espelho, esta manhã, se esvai.

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PS - Eu sei. Ainda faltam as análises às leituras, aos filmes e aos álbuns deste verão. Não ficam esquecidas. Apenas, digamos, vá lá, adiadas.

Foi só há 10 anos

Fotografia de Geoffrey Robinson

Há 10 anos atrás, com uma abstenção de, apenas, 1,4%, 78,5% dos eleitores de Timor-Leste votaram, em referendo, pela sua independência.

Debates Televisivos - Legislativas 2009

De regresso, finalmente, primeiro post com um calendário que pode ser útil para quem, como eu, acredita que vale a pena assistir aos debates pré-eleitorais, ainda que, na maior parte das vezes, por mera diversão.
  • 02 Setembro: José Sócrates - Paulo Portas (TVI)
  • 03 Setembro: Francisco Louçã - Jerónimo de Sousa (SIC)
  • 05 Setembro: José Sócrates - Jerónimo de Sousa (RTP)
  • 06 Setembro: Francisco Louçã - Ferreira Leite (TVI)
  • 07 Setembro: Paulo Portas - Jerónimo de Sousa (SIC)
  • 08 Setembro: José Sócrates - Francisco Louçã (RTP)
  • 09 Setembro: Ferreira Leite - Jerónimo de Sousa (TVI)
  • 10 Setembro: Paulo Portas - Ferreira Leite (RTP)
  • 11 Setembro: Paulo Portas - Francisco Louçã (RTP)
  • 12 Setembro: José Sócrates - Manuela Ferreira Leite (SIC)

Férias

Uns bons dias a correr o país. Até já.

Quando for grande



Quando for grande, quero ser inspector da Polícia Judiciária. Mas não por muito tempo. O suficiente para me tornar escritor de ficções adaptadas a novelas históricas. Que de História, digam o que disserem, percebo eu, ainda que pouco.
Depois, quero ir às televisões. Eu escrevo estórias, caramba. Mereço ir às televisões. Quero ir falar com a Fátima sobre miúdas que desaparecem. Mas sonho mais alto. Também quero ser autarca. Vencendo, melhor. Fico Presidente.
Depois... depois quero ser deputado ou ter amigos deputados. Ai não dá? Não querem? Então esqueçam. Voto no outro. Que eu já fui investigador, comentador (de tudo e de nada), escritor, guionista, presidente de câmara. E não posso ser deputado ou ter amigos deputados?
Que merda de país, este, onde não reconhecem o valor de um autarca/escritor/comentador/faz-tudo.

PS - Eu sei que a Maddie não está ali, nem acolá, mas poderá estar além, ou não.

Marx e a sopa

Clicar na imagem para melhor visualização.

Dois pesos e duas medidas


Custa-me ter de concordar com Daniel Oliveira. Custa, mesmo. Mas há que ser coerente. A brincadeira/rebeldia sem causa protagonizada por alguns elementos do 31 da Armada (blogue que estou habituado a ler e a apreciar), ultrapassou os limites, no mínimo, do bom gosto, já para não falar das ilegalidades cometidas.
Ora vejam lá se, desta vez, Daniel Oliveira não tem razão:

Gostaria de saber o que diria tanta gente amante da ordem e da lei se em vez da bandeira monárquica fosse outra a hasteada na Câmara de Lisboa e se em vez de gente com três nomes fossem uns verde eufémios andrajosos a fazer a graça. Talvez dissessem que esta gente faz “do crime e da desobediência civil o mote para transformar a sociedade numa ditadura popular que idealizam para os Portugueses”. Talvez lhes chamassem “filhos de Otelo” e lamentassem o facto de agirem de cara tapada. Diriam que é gente que gosta do espetáculo e que invade propriadade pública para fazer agitação política. Que era fundamentalismo, era ilegal, era só o que faltava. Exigiriam a acção policial. Afinal de contas, a questão não se resume aos alvos da dita contestação, mas sim aos métodos contestatários.

Para que fique claro: a acção do 31 da Armada não me incomoda nada. Até gosto de azul e branco. Já a incoerência que leva a exigir respeito absoluto pela lei aos outros e a transgredi-la quando se acha graça é que me parece pouco aconselhável.

Daniel Oliveira, no Arrastão

Vagos Open Air 09


Eu até ia. Com todo o gosto. E nem demorava muito a encher a mochila que, para estas coisas, já se sabe, leva-se o essencial. O problema são os outros compromissos.
Isso de fazer convites em cima da hora não se faz, pá! É que não se faz, mesmo!

Férias

Regras básicas do decoro


Anda por aí meio mundo a falar da proposta feita-não feita-feita-mais ou menos feita-feita a Joana Amaral Dias (JAD) e à desavença entre PS e BE e ninguém se debruça sobre a verdadeira questão. A falta de decoro de JAD.
Tivesse esta senhora uma verdadeira educação clássica em postura feminina e saberia que uma proposta indecorosa, não havendo vontade de a aceitar, nunca é publicitada.
A fazê-lo, que o seja com as amigas debutantes, entre um biscoito e um trago de chá, ou entre dois pontos de bordado em linho fino. Qualquer coisa como: "o Sr. D. X, ainda que de boas posses, insinuou querer visitar-me a alcova, o descarado. Nunca mais o convidei para o grupo de bridge de quinta-feira". Isto sim, percebe-se. Não estraga a reputação do cavalheiro nem da própria dama, que se poderia ter dado, ainda que indirectamente, a essa investida, e deixa avisadas potenciais vítimas. Mas ir directamente fazer queixas ao pai, que se sabe ir pretender duelo de morte ao raiar do sol? Isso não se faz, Joana. Isso não se faz.

Virgem Suta


Entraram-me casa adentro, ontem, à hora do almoço, através do Primeiro Jornal da SIC. Ainda nem sabia que andavam por ali mãos do Helder Gonçalves, dos Clã, a darem um empurrãozinho, e já a vontade de comprar o álbum, a existir/quando existisse, era enorme. Afinal, existe mesmo. E já ali está, na prateleira. Quer dizer, a caixa está na prateleira, que o CD tem rodado ininterruptamente. Vão ouvir um bocadinho ali ao Myspace deles. Depois, é comprar o álbum ou ir a um dos concertos, que eles andam pela estrada (a 9 de Agosto no Sudoeste, por exemplo). Virgem Suta, senhores. Virgem Suta.

Hoje seriam 80 (2 de Agosto de 1929)

Legislativas na blogosfera

Ideia interessante, esta, que se vem materializando, de forma cada vez mais eficaz e participada, de eleição em eleição.
Em vésperas de legislativas, além dos blogues que, por si só, são já afectos aos diversos partidos e/ou movimentos, surgem espaços unicamente dedicados a este acto eleitoral.
Assim, e pela ordem da sua criação, os apoiantes de José Sócrates criaram o SIMplex, os de Manuela Ferreira Leite o Jamais e os de Paulo Portas o Rua Direita.
Sendo espaços de debate e reflexão, com um grafismo apelativo, aconselho vivamente.

A cultura, essa maçada

Aqui fica uma passagem que explica muito acerca do tratamento que Lisboa dá à cultura no resto do país:

É ’bom’ quando um superior nos diz (enquanto faz o alinhamento do telejornal):

“Ai, vou tirar esta coisa da Capital da Cultura. Acho isto muito maçador. Aliás hoje já temos imensa Cultura, deves estar contente”

* o resto eram 44 segundos sobre o novo filme do Harry Potter e outros 40 a anunciar o aniversário do Museu Colecção Berardo;


Post de Filipa Queiroz

Assume, e bem

A tese é dele. A opção é dela. E bem. Parvoeira é dizer que sim quando se pensa que não porque o partido diz que nim. Tenho dito.

A noite acentua a tristeza... (CXVIII)

Uma Paixão

Visita-me enquanto não
envelheço
toma estas palavras cheias de medo e
surpreende-me
com teu rosto de Modigliani suicidado
tenho uma varanda ampla cheia de malvas
e o marulhar das noites povoadas de peixes voadores
vem
ver-me
antes que a bruma contamine os alicerces
as pedras nacaradas deste vulcão
a lava do desejo
subindo à boca sulfurosa dos espelhos
vem
antes que desperte em
mim o grito
de alguma terna Jeanne Hébuterne
a paixão
derrama-se quando tua ausência se prende às veias
prontas a esvaziarem-se do rubro ouro
perco-te no sono
das marítimas paisagens
estas feridas de barro e quartzo
os olhos escancarados para a infindável
água
vem
com teu sabor de açúcar queimado em redor da
noite
sonhar perto do coração que não sabe como
tocar-te

Al Berto

Questão pertinente

Quase tudo o que é socialista, neste país, já descobriu o descalabro a que chegou a sua actual liderança, pese, embora, a sua maioria absoluta e advindos erros. Quase tudo. Excepto este senhor. Ele sabe que, apesar de tudo, venceu as europeias. Amigo do senhor Soares, talvez. Ele sabe que o ex-ministro Pinho se demitiu por má vontade política das gentes que pairam nas bancadas da oposição, essa ralé que grassa pelo parlamento. Ele sabe que, com mais uns vinte anos de liderança, o seu ídolo José Sócrates faria toda a diferença. Ele sabe que as forças do mal se multiplicam por entre as hostes do PSD. Enfim, ele sabe tudo o que a pseudo-máquina eleitoralista do PS julga saber.
Que fará ele depois de setembro e outubro? Fecha o blogue ou mantém a sua (já irritante) demagogia bacoca?

Recebido por e-mail

Recebido por e-mail. Anexei-lhe um smile e reenviei.

Gostava de ter escrito isto

O que mais impressiona no declínio do império socialista é a velocidade a que está a dar-se. Ainda há um mês, recordemos, o PS estava destinado pelas sondagens e pelos comentadores a ganhar as europeias, Passos Coelho pedia a vitória ao PSD na pouca secreta certeza de que ela era impossível e a única dúvida de todos era saber se Sócrates venceria as legislativas com ou sem maioria absoluta.
E agora...
O Governo das reformas e do "animal feroz" recua no TGV, recua no novo aeroporto, recua na avaliação dos professores, recua nas duplas candidaturas, recua no negócio da PT-TVI de um dia para o outro e recua ministros na hora. Até propõe "pactos" sobre as PMEs, uma das mais destacadas bandeiras do PSD nos últimos tempos.
O vento mudou. A iniciativa de jogo passou para a oposição e o Governo, remetido à defesa, limita-se a responder à zona, quando não ao homem (ou à mulher).
Tudo isto porque o pesadelo de 7 de Junho revelou duas coisas terríveis ao PS. Primeiro, que Sócrates perde eleições, ao contrário do que diziam as sondagens e os comentadores. Segundo, que Manuela Ferreira Leite ganha eleições, ao contrário do que diziam as sondagens e os comentadores.
Os efeitos da revelação têm-se notado nas últimas semanas, e de modo superlativo no debate sobre o estado da nação. O alvo da fúria do Primeiro-Ministro, apesar de algumas distracções taurinas, estava fora do hemiciclo. Nos próximos meses não teremos mais Pinho, mas teremos certamente mais ataques à "política de verdade" de Manuela Ferreira Leite.
O que é um pouco irónico. Como mote de campanha, "política de verdade" deixa a desejar porque em "política" ninguém tem o monopólio da "verdade". Mas como alternativa a um Primeiro-Ministro que mente por sistema e sem castigo (pelo menos até ao passado 7 de Junho) torna-se o contraponto ideal.
O PS bem sabe onde lhe dói. E não é nos corninhos.
Pedro Picoito, aqui, n'O Cachimbo de Magritte

Endeusamentos

Hoje, na televisão, Cristiano Ronaldo, até à exaustão. Amanhã, Michael Jackson. Ainda bem que voltou o sol. Televisão desligada durante dois dias.

A noite acentua a tristeza... (CXVII)

Espero

Espero sempre por ti o dia inteiro,
Quando na praia sobe, de cinza e oiro,
O nevoeiro
E há em todas as coisas o agoiro
De uma fantástica vinda

Sophia de Mello Breyner Andresen

Dar a volta ao bico do prego

Domingos Névoa dá-se, agora, ao desplante de processar Sá Fernandes por ele o ter chamado "bandido".
Domingos Névoa está a brincar com a justiça portuguesa ou com Sá Fernandes?
Ou com a justiça portuguesa, com Sá Fernandes e com todos os outros portugueses?
Arre, que é preciso ter lata.

Empate Técnico

aqui tinha referido, há cerca de 8 meses, que me parecia de grande astúcia por parte de Manuela Ferreira Leite a escolha de Pedro Santana Lopes como candidato à Câmara Municipal de Lisboa.
Hoje, o DN apresenta uma sondagem da Universidade Católica que aponta, já, em época de pré-campanha (sabendo nós que Santana é um "animal político" em questões de campanhas eleitorais), para um empate com António Costa.
A notícia está aqui.

Descubra as diferenças



Estas duas senhoras tiveram autorização do Querido Líder para serem candidatas ao Parlamento Europeu e, mandatos garantidos, serem, simultâneamente, candidatas nas eleições autárquicas, às Câmaras de Sintra e Porto.






Estas duas senhoras não têm autorização do Querido Líder para serem candidatas às autarquias de Cascais e Alpiarça e, simultâneamente, garantirem o seu lugar de deputadas nas legislativas. Ambas estão indignadas. Se a senhora da direita, Sónia Sanfona, acha que para se melhorar a democracia não se podem mudar as regras a meio do jogo, defendendo que não deviam ter sido abertas excepções, a senhora da esquerda, Leonor Coutinho, vai mais longe, defendendo que estas novas regras podem vir a criar um «problema de coesão entre as pessoas do partido».
A pérola, no entanto, vem mais à frente. Ora leia-se:

Sinais dos tempos?

Em cinco dias, quatro posts. Um centenário e três óbitos. Sinais dos tempos?

Pina Bausch


27 de julho de 1940 — 30 de Junho de 2009

Michael Jackson

29 de Agosto de 1958 – 25 de Junho de 2009

Farrah Fawcett

2 de Fevereiro de 1947 - 25 de Junho de 2009

Piolho


100 anos. Hoje. Cartaz recheado. Hoje e amanhã. O Piolho, onde passei muitos e bons momentos, está de parabéns.

Gostava de ter sido eu a escrever isto

Pedro Passos Coelho é, com o devido respeito, uma espécie de sempre-em-pé do PSD. Durante a campanha das europeias, exigiu a maioria para o PSD. Agora (acabei de ouvir na televisão) deu-lhe para, a seguir a Ferreira Leite se ter recusado a pedir a maioria absoluta nas legislativas, vir logo dizer que ele a exigiria. É verdade que há qualquer coisa de irritante nos sempre-em-pé: é que agem por uma espécie de compulsão natural e não por qualquer convicção. Está-lhes na natureza, é algo de que não se podem livrar. Mas este sempre-em-pé até pode servir de amuleto a Ferreira Leite. Pediu a maioria nas europeias, ela deu-lhe um piparote, e o PSD teve-a. Voltou, regido pelas leis da física, à sua posição vertical, ela dar-lhe-á outro piparote – e quem sabe? De qualquer maneira, mesmo que a coisa improbabilíssima não aconteça, resta o prazer dos piparotes. Visto de fora, pelo menos, é divertido. Eu acho graça.

Paulo Tunhas, n'O Cachimbo de Magritte

A noite acentua a tristeza... (CXVI)

Poema aos amigos

Não posso dar-te soluções
Para todos os problemas da vida,
Nem tenho resposta
Para as tuas dúvidas ou temores,
Mas posso ouvir-te
E compartilhar contigo.

Não posso mudar
O teu passado nem o teu futuro.
Mas quando necessitares de mim
Estarei junto a ti.

Não posso evitar que tropeces,
Somente posso oferecer-te a minha mão
Para que te sustentes e não caias.

As tuas alegrias
Os teus triunfos e os teus êxitos
Não são os meus,
Mas desfruto sinceramente
Quando te vejo feliz.

Não julgo as decisões
Que tomas na vida,
Limito-me a apoiar-te,
A estimular-te
E a ajudar-te sem que me peças.

Não posso traçar-te limites
Dentro dos quais deves actuar,
Mas sim, oferecer-te o espaço
Necessário para cresceres.

Não posso evitar o teu sofrimento
Quando alguma mágoa
Te parte o coração,
Mas posso chorar contigo
E recolher os pedaços
Para armá-los novamente.

Não posso decidir quem foste
Nem quem deverás ser,
Somente possoAmar-te como és
E ser teu amigo.

Todos os dias, penso
Nos meus amigos e amigas,
Não estás acima,
Nem abaixo nem no meio,
Não encabeças
Nem concluís a lista.
Não és o número um
Nem o número final.

E tão pouco tenho
A pretensão de ser
O primeiro
O segundo
Ou o terceiro
Da tua lista.
Basta que me queiras como amigo

Dormir feliz.
Emanar vibrações de amor.
Saber que estamos aqui de passagem.
Melhorar as relações.
Aproveitar as oportunidades.
Escutar o coração.
Acreditar na vida.

Obrigado por seres meu amigo.

Jorge Luís Borges

Carta Aberta


Estimado ídolo e guru da política nacional e internacional
Exmo Sr Dr Mário Soares

Saiba Sua Excelência da respeitosa afeição que por Si nutro e dos profundos agradecimentos que Lhe endereço pelas lições vivas de política com que nos vai presenteando, com esse Seu natural desprendimento, essa Sua virtuosa vontade de apelar à racionalidade e ao bom senso. Chega a tocar, mesmo, o fundo do mais empedernido dos corações humanos.
Não pretendo, obviamente, tomar-Lhe muito do seu tempo. Não Lhe faltando vitalidade, é certo, a idade vai sendo provecta e as solicitações abundantes, não fosse o maior cientista político, politólogo, político no activo ou em stand-by, comentador, entrevistador de figuras públicas, detentor de vasta biblioteca, companheiro da Clara Ferreira Alves em viagens, entre tantas outras funções com que de forma tão excelsa se ocupa.
Precisava, no entanto, de Lhe colocar algumas questões pertinentes. Estando eu, pacatamente, a ver a reposição, na RTP Memória, das Suas entrevistas a amigos de renome mundial que se distinguiram quase tanto como Sua Excelência (conduzidas com indubitável mestria e pronúncias irrepreensíveis), eis que um qualquer neoliberal selvagem invadiu a minha caixa de correio electrónico com o gráfico supra colocado.
Sabendo eu que Sua Excelência nunca se engana nos Seus vaticínios, o que se tem comprovado ao longo de todos estes anos, mormente nas últimas eleições presidenciais, peço-Lhe, encarecidamente, que partilhe comigo alguns dos argumentos iluminados com os quais possa, de uma assentada, explicar a esse incauto profanador de caixas de correio alheias que o neoliberalismo selvagem morreu, que a europa é tendencialmente de esquerda, que Durão Barroso é um rosto do passado, que os governos socialistas não foram castigados porque seguem a correcta orientação política. Em suma, gostava que Sua Excelência me ajudasse a discorrer que o facto de o mapa estar quase todo a azul e de o PPE ser o partido mais votado vem provar, precisamente, tudo o que Sua Excelência tem vindo a, bondosamente, partilhar connosco ao longo dos últimos tempos.

Grato pela atenção e precioso tempo dispensados, com os mais respeitosos cumprimentos,

Rui Afonso

Donald


Com alguns dias de atraso - e quando é que este blogue não leva alguns dias de atraso? - não podia deixar de marcar os 75 anos do pato mais famoso do mundo (esta é mesmo expressão feita).
A título de curiosidade, dêem uma clicadela aqui em baixo e conheçam toda a genealogia da família mais complexa da BD.


Música


A pedido de várias famílias, em especial deste amigo e deste outro, o irritante auto-arranque da música deixa de se realizar. Assim, estimado leitor que ainda vai tendo alguma paciência para passar por aqui, vá até ali ao lado direito, na secção Música na Tela, e, para trautear qualquer coisita enquanto vai lendo, é só carregar no play. Agradecido.

A noite acentua a tristeza... (CXV)

Terror de te amar

Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo

Mal de te amar neste lugar de imperfeição
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa

Sophia de Mello Breyner Andresen

Provas de aferição*

Mais um acto de pura propaganda política. Não servindo para avaliação dos alunos mas sim para avaliação do actual estado do ensino, o ministério optou por apresentar provas ridiculamente acessíveis. Ao ponto dos próprios alunos se rirem e afirmarem que, apesar de englobarem muita mais matéria, são bem mais fáceis que os testes que foram fazendo ao longo do ano. Adivinha-se, claro, uma posterior avaliação extremamente positiva, com Maria de Lurdes Rodrigues a ser endeusada por José Sócrates, em mais uma qualquer sessão de distribuição dos omnipresentes Magalhães. Leia-se, a este respeito, o "mini-relato" de Paulo Pinto Mascarenhas, aqui.


* - ou "provas de afeição", como conta Inês Teotónio Pereira?

A noite acentua a tristeza... (CXIV)

Chamo-Te porque tudo está ainda no princípio
E suportar é o tempo mais comprido.

Peço-Te que venhas e me dês a liberdade,
Que um só dos teus olhares me purifique e acabe.

Há muitas coisas que eu quero ver.

Peço-Te que sejas o presente.
Peço-Te que inundes tudo.
E que o teu reino antes do tempo venha.
E se derrame sobre a Terra
Em primavera feroz precipitado.

Sophia de Mello Breyner Andresen

O problema das paixões assolapadas


Já aqui tinha prometido não voltar a falar desta senhora, por quem nutro uma aversão profunda, mas não consegui resistir. Ana Gomes, assumidamente apaixonada por Barack Obama, aquando das eleições norte-americanas, descobriu, agora, o problema das paixões assolapadas - é tudo muito bonito, ao início, e não existem defeitos. Depois, vêm as primeiras escorregadelas.

O caso da Exma. Sra. Dra. de Espinho - questões práticas



Algumas questões pertinentes:

1 - Não estará esta Exma. Sra. Dra., já, a leccionar Educação Sexual em linguagem acessível ao mais comum dos mortais?

2 - Sendo a Exma. Sra. Dra. docente de História, não será lícito que leccione Educação Sexual, tendo em conta que sem reprodução não haveria História?

3 - Tendo a Exma. Sra. Dra. estudado mais 10 anos do que a mãe da aluna em causa, exigindo, portanto, ser tratada por Sra. Dra. pela senhora que fica 1,70m abaixo dela, não estará melhor informada sobre as técnicas a adoptar para um ensino eficaz e eficiente?

4 - Se o Ministério da Justiça tem acesso às contas dos cidadãos e o da Saúde às suas doenças (para citar, apenas, dois exemplos), não será lícito que o Ministério da Educação, que se propõe dar formação sexual, tenha acesso, através dos seus professores, aos actos sexuais dos discentes?

5 - Se todos sabemos da existência de professores que adulteram notas a seu bel-prazer, não seria melhor que todos fizessem como a Exma. Sra. Dra., verbalizando a ameaça?

6 - Não será justo, tendo em conta outros acontecimentos recentes, considerar a aluna que gravou a aula delatora?

7 - Por último, a parte da aula que me deixa verdadeiramente intrigado - Não é estranho a Exma. Sra. Dra. ter tido o hímen rompido assim que nasceu (grande prova de maturidade sexual por parte da mãe) e só ter dado o primeiro beijo "linguado" no 12º ano?

Aceitam-se mais questões pertinentes. Assim que a lista estiver devidamente elaborada, remeter-se-á para alguém que nos possa elucidar (nunca ninguém que tenha estudado menos que 12 anos + 4 de ensino superior + 2 de estágio + 2 de pós-gradução + 1 de especialização).

 
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