Ponto
A noite acentua a tristeza... (CXXIV)
Chove...
Mas isso que importa?,
se estou aqui abrigado nesta porta
a ouvir a chuva que cai do céu
uma melodia de silêncio
que ninguém mais ouve
senão eu?
Chove...
Mas é do destino
de quem ama
ouvir um violino
até na lama.
José Gomes Ferreira
Cá entre nós, que ninguém nos ouve
Bragajazz 2010
- Quinta-feira, 4 de Março - Maria João e Ogre
- Sexta-feira, 5 de Março - Jerry Bergonzi Trio
- Sábado, 6 de Março - Claudia Quintet
- Sexta-feira, 12 de Março - Heloísa Fernandes Trio
- Sábado, 13 de Março - Jamie Baum Septet
Gostava de ter sido eu a escrever isto
De João Gonçalves, no Portugal dos Pequeninos, O Supra-Guterres:
Nos bocadinhos que vi, o Paulo Rangel pareceu-me um pouco pálido para o costume. Politicamente pálido. E o que lhe sobra em gramática, falta a Passos Coelho que é algo que impressiona logo o "zé militante". Nada, porém, que não se burile como uma qualquer toponímia capilar. Talvez esta seja mesmo uma possível leitura da coisa. Passos quer ser o "bonzinho" do PSD quinze anos depois do bonzinho Guterres no PS. Guterres "pegou" porque a opinião que então se publicava e ouvia (sensivelmente a mesma ecologia malsã de hoje) sugeriu fartura de crispação e o fim de um "ismo", "razão e coração". E o país aceitou o delíquio e a ilusão como a rapariga da Tabacaria de Álvaro de Campos comia chocolates sem mais metafísica. Se calhar, por interposto Passos, a coisa ainda se repete à direita. Eu só quero Cavaco reeleito.
A noite acentua a tristeza... (CXXIII)
No entardecer da terra
O sopro do longo Outono
Amareleceu o chão.
Um vago vento erra,
Como um sonho mau num sono,
Na lívida solidão.
Soergue as folhas, e pousa
As folhas, e volve, e revolve,
E esvai-se inda outra vez.
Mas a folha não repousa,
E o vento lívido volve
E expira na lividez.
Eu já não sou quem era;
O que eu sonhei, morri-o;
E até do que hoje sou
Amanhã direi, quem dera
Volver a sê-lo!... Mais frio
O vento vago voltou.
Fernando Pessoa
A noite acentua a tristeza... (CXXII)
Ao longe, ao luar,
No rio uma vela
Serena a passar,
Que é que me revela?
Não sei, mas meu ser
Tornou-se-me estranho,
E eu sonho sem ver
Os sonhos que tenho.
Que angústia me enlaça?
Que amor não se explica?
E a vela que passa
Na noite que fica.
Fernando Pessoa
A ler
Pedro Vieira, no irmaolucia:
sou rica em sonhos mas pobre em avatar
milhões de dólares investidos, mais castings e guionistas e computadores a fazerem renderings, e executivos a tratarem dos marketings, e designers de produção a pensarem em bichos e vegetações e armas e cápsulas, e as promoções virais e as relações públicas, e os actores que são aos magotes, nem todos de carne e osso, e os press releases, e os óculos entregues à porta das salas de cinema para não se perder pitada, tudo isto para acabarmos com um badameco a falar com uma árvore. como na floribella.
A noite acentua a tristeza... (CXXI)
Drave
Esconsos perdidos na montanha onde ninguém vai
Ruínas de um esforço secular caminhos onde reina a água
Chuvas que penetram a terra que jorram de novo ao ar
Um estábulo uma cabra um prado - e o regresso,
de regresso a ti
Aurélio Porto
Rédea Solta
Feeds
A noite acentua a tristeza... (CXX)
Para quê rimar amor e dor
Que pátria tem o vagabundo?
O mundo?
Vasto demais, não é, Carlos Andrade?
Que há-de
Então ter ele? O fugidio espaço,
O frio aço
Do alheio? A romântica lua?
Essa nua
Luz, sim, é dele. Mas não aquece.
Já esquece
O regaço materno, de onde veio.
O seio
Tornou-se miragem. real - inacessível.
Crível
Pátria, agora, depois de tanta dor,
Apenas - Amor.
Aurélio Porto
Flor de um Dia
Regresso (versão 16)
Eleições e Saramago
Sons urbanos bracarenses
Regresso
Mais uma vez, afastamento não desejado.
Para amanhã, análise às eleições. Ao regresso, muito bem conseguido, dos Beatles. E a um livro que não li na altura certa - Bilhete de Identidade, de Maria Filomena Mónica - mas que acabei de dissecar.
Vou ali e volto já.
A noite acentua a tristeza... (CXIX)
O Comício
Da tribuna envergonhada
por tanta demagogia
o orador prometia,
duma assentada,
a terra e o céu.
O povoléu,
incrédulo, sorvia
a fome de tanta fartura.
Porém, a certa altura
o orador entupiu
e caíu-lhe a dentadura.
Quando a assistência saíu,
pisou-lhe a faladura.
António Arnaut
Rabiscos (LXI)
dizes-te Vénus
penso-me Marte
mas
só a Lua, impávida, brilha
Braga, 8 de Setembro de 2006
A ler
Finalmente uma "sondagem" para as legislativas. Depois dos equívocos e das vergonhas nas europeias, a principal conclusão desta sondagem é não haver propriamente conclusão alguma. O PS segue à frente, é certo, mas, pelo sim pelo não, deixa-se aos "indecisos" a decisão final. E a "margem" (dos "indecisos") daria, também eloquentemente, um "empate técnico". O outro jornal que a publica vai mais longe e titula que os ditos "indecisos" até podem "virar" o resultado. Estamos, pois, como estávamos ontem. Sem maiorias absolutas, com este absolutismo socialista em vigor em risco de nem sequer ficar minoritário (em 2005 obteve 45%...), com o Bloco menos "terceiro" e o dr. Portas mais "terceiro", etc. etc. O que a coisa sobretudo mostra é cansaço disto. Quem mais chatear, mais perde.
Por João Gonçalves, no Portugal dos Pequeninos
Debates Televisivos - Legislativas 2009 (III)
Debates Televisivos - Legislativas 2009 (II)
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Adenda - Curiosidade em relação à prestação de Ferreira Leite e Louçã, esta noite.
Antenas online
Programas de sábado à noite
Do alto da sua prateleira, Colleen McCullough ainda resmungou. Com estilo, claro, que outra coisa não se esperaria de uma australiana que tem no seu currículo a soberba colecção de seis volumes d' O Primeiro Homem de Roma. Neste caso, resmungou-me de dentro do seu A Casa dos Anjos.
De nada lhe valeu. Decisão tomada. Para dar sobriedade à leitura, ajudaram os 3 tenores, Carreras, Domingo e Pavarotti, dirigidos por Mehta, em 1990, nas Termas de Caracala, em Roma (o caro leitor pode optar por um mais civilizado Terme di Caracalla di Roma).
E foi começar a ler. Primeiro, aqui, que está bastante mais sucinto. Depois, aqui, que já ia a leitura embalada.
Quanto aos conteúdos, não me peçam resumos nem grandes considerações. Desculpar-me-ão, mas arranjem o vosso próprio sábado à noite. Só uma pequena nota - quem afirma, à boca cheia, que os documentos são muito semelhantes ou não os leu ou não os soube ler, exceptuando, claro está, o facto de ambos serem programas de supostos futuros governos (não há quem preconize, já, a junção dos dois? susto).
E, agora, vou aproveitar o domingo à tarde dos passeios em fato de treino dos meus vizinhos para ouvir Red Hot Chili Peppers em altos berros, a ver se o aspecto macambúzio que me olhou do outro lado do espelho, esta manhã, se esvai.
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PS - Eu sei. Ainda faltam as análises às leituras, aos filmes e aos álbuns deste verão. Não ficam esquecidas. Apenas, digamos, vá lá, adiadas.
Foi só há 10 anos
Debates Televisivos - Legislativas 2009
- 02 Setembro: José Sócrates - Paulo Portas (TVI)
- 03 Setembro: Francisco Louçã - Jerónimo de Sousa (SIC)
- 05 Setembro: José Sócrates - Jerónimo de Sousa (RTP)
- 06 Setembro: Francisco Louçã - Ferreira Leite (TVI)
- 07 Setembro: Paulo Portas - Jerónimo de Sousa (SIC)
- 08 Setembro: José Sócrates - Francisco Louçã (RTP)
- 09 Setembro: Ferreira Leite - Jerónimo de Sousa (TVI)
- 10 Setembro: Paulo Portas - Ferreira Leite (RTP)
- 11 Setembro: Paulo Portas - Francisco Louçã (RTP)
- 12 Setembro: José Sócrates - Manuela Ferreira Leite (SIC)
Quando for grande
Depois, quero ir às televisões. Eu escrevo estórias, caramba. Mereço ir às televisões. Quero ir falar com a Fátima sobre miúdas que desaparecem. Mas sonho mais alto. Também quero ser autarca. Vencendo, melhor. Fico Presidente.
Depois... depois quero ser deputado ou ter amigos deputados. Ai não dá? Não querem? Então esqueçam. Voto no outro. Que eu já fui investigador, comentador (de tudo e de nada), escritor, guionista, presidente de câmara. E não posso ser deputado ou ter amigos deputados?
Que merda de país, este, onde não reconhecem o valor de um autarca/escritor/comentador/faz-tudo.
PS - Eu sei que a Maddie não está ali, nem acolá, mas poderá estar além, ou não.
Dois pesos e duas medidas
Ora vejam lá se, desta vez, Daniel Oliveira não tem razão:
Gostaria de saber o que diria tanta gente amante da ordem e da lei se em vez da bandeira monárquica fosse outra a hasteada na Câmara de Lisboa e se em vez de gente com três nomes fossem uns verde eufémios andrajosos a fazer a graça. Talvez dissessem que esta gente faz “do crime e da desobediência civil o mote para transformar a sociedade numa ditadura popular que idealizam para os Portugueses”. Talvez lhes chamassem “filhos de Otelo” e lamentassem o facto de agirem de cara tapada. Diriam que é gente que gosta do espetáculo e que invade propriadade pública para fazer agitação política. Que era fundamentalismo, era ilegal, era só o que faltava. Exigiriam a acção policial. Afinal de contas, a questão não se resume aos alvos da dita contestação, mas sim aos métodos contestatários.
Para que fique claro: a acção do 31 da Armada não me incomoda nada. Até gosto de azul e branco. Já a incoerência que leva a exigir respeito absoluto pela lei aos outros e a transgredi-la quando se acha graça é que me parece pouco aconselhável.
Vagos Open Air 09

Eu até ia. Com todo o gosto. E nem demorava muito a encher a mochila que, para estas coisas, já se sabe, leva-se o essencial. O problema são os outros compromissos.
Isso de fazer convites em cima da hora não se faz, pá! É que não se faz, mesmo!
Férias
Regras básicas do decoro
Tivesse esta senhora uma verdadeira educação clássica em postura feminina e saberia que uma proposta indecorosa, não havendo vontade de a aceitar, nunca é publicitada.
A fazê-lo, que o seja com as amigas debutantes, entre um biscoito e um trago de chá, ou entre dois pontos de bordado em linho fino. Qualquer coisa como: "o Sr. D. X, ainda que de boas posses, insinuou querer visitar-me a alcova, o descarado. Nunca mais o convidei para o grupo de bridge de quinta-feira". Isto sim, percebe-se. Não estraga a reputação do cavalheiro nem da própria dama, que se poderia ter dado, ainda que indirectamente, a essa investida, e deixa avisadas potenciais vítimas. Mas ir directamente fazer queixas ao pai, que se sabe ir pretender duelo de morte ao raiar do sol? Isso não se faz, Joana. Isso não se faz.
Virgem Suta
Hoje seriam 80 (2 de Agosto de 1929)
Legislativas na blogosfera
Em vésperas de legislativas, além dos blogues que, por si só, são já afectos aos diversos partidos e/ou movimentos, surgem espaços unicamente dedicados a este acto eleitoral.
Assim, e pela ordem da sua criação, os apoiantes de José Sócrates criaram o SIMplex, os de Manuela Ferreira Leite o Jamais e os de Paulo Portas o Rua Direita.
Sendo espaços de debate e reflexão, com um grafismo apelativo, aconselho vivamente.
A cultura, essa maçada
É ’bom’ quando um superior nos diz (enquanto faz o alinhamento do telejornal):
“Ai, vou tirar esta coisa da Capital da Cultura. Acho isto muito maçador. Aliás hoje já temos imensa Cultura, deves estar contente”
* o resto eram 44 segundos sobre o novo filme do Harry Potter e outros 40 a anunciar o aniversário do Museu Colecção Berardo;
Assume, e bem
A noite acentua a tristeza... (CXVIII)
Uma Paixão
Visita-me enquanto não
envelheço
toma estas palavras cheias de medo e
surpreende-me
com teu rosto de Modigliani suicidado
tenho uma varanda ampla cheia de malvas
e o marulhar das noites povoadas de peixes voadores
vem
ver-me
antes que a bruma contamine os alicerces
as pedras nacaradas deste vulcão
a lava do desejo
subindo à boca sulfurosa dos espelhos
vem
antes que desperte em
mim o grito
de alguma terna Jeanne Hébuterne
a paixão
derrama-se quando tua ausência se prende às veias
prontas a esvaziarem-se do rubro ouro
perco-te no sono
das marítimas paisagens
estas feridas de barro e quartzo
os olhos escancarados para a infindável
água
vem
com teu sabor de açúcar queimado em redor da
noite
sonhar perto do coração que não sabe como
tocar-te
Al Berto
Questão pertinente
Que fará ele depois de setembro e outubro? Fecha o blogue ou mantém a sua (já irritante) demagogia bacoca?
Gostava de ter escrito isto
O que mais impressiona no declínio do império socialista é a velocidade a que está a dar-se. Ainda há um mês, recordemos, o PS estava destinado pelas sondagens e pelos comentadores a ganhar as europeias, Passos Coelho pedia a vitória ao PSD na pouca secreta certeza de que ela era impossível e a única dúvida de todos era saber se Sócrates venceria as legislativas com ou sem maioria absoluta.E agora...O Governo das reformas e do "animal feroz" recua no TGV, recua no novo aeroporto, recua na avaliação dos professores, recua nas duplas candidaturas, recua no negócio da PT-TVI de um dia para o outro e recua ministros na hora. Até propõe "pactos" sobre as PMEs, uma das mais destacadas bandeiras do PSD nos últimos tempos.O vento mudou. A iniciativa de jogo passou para a oposição e o Governo, remetido à defesa, limita-se a responder à zona, quando não ao homem (ou à mulher).Tudo isto porque o pesadelo de 7 de Junho revelou duas coisas terríveis ao PS. Primeiro, que Sócrates perde eleições, ao contrário do que diziam as sondagens e os comentadores. Segundo, que Manuela Ferreira Leite ganha eleições, ao contrário do que diziam as sondagens e os comentadores.Os efeitos da revelação têm-se notado nas últimas semanas, e de modo superlativo no debate sobre o estado da nação. O alvo da fúria do Primeiro-Ministro, apesar de algumas distracções taurinas, estava fora do hemiciclo. Nos próximos meses não teremos mais Pinho, mas teremos certamente mais ataques à "política de verdade" de Manuela Ferreira Leite.O que é um pouco irónico. Como mote de campanha, "política de verdade" deixa a desejar porque em "política" ninguém tem o monopólio da "verdade". Mas como alternativa a um Primeiro-Ministro que mente por sistema e sem castigo (pelo menos até ao passado 7 de Junho) torna-se o contraponto ideal.O PS bem sabe onde lhe dói. E não é nos corninhos.
Endeusamentos
A noite acentua a tristeza... (CXVII)
Espero
Espero sempre por ti o dia inteiro,
Quando na praia sobe, de cinza e oiro,
O nevoeiro
E há em todas as coisas o agoiro
De uma fantástica vinda
Sophia de Mello Breyner Andresen





















